27 de novembro de 2012

Meu café da manhã: croissant impecável, gostosa torta de pera com creme patissier e café com leite

Um pequeno corredor, no meio da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, que poderia passar despercebido. Mas é só olhar um segundo a mais que você notará o entra e sai incessante de gente apressada, as filas que costumam vazar pela porta. Perceberá que ali tem algo bom. E tem: é a Boulangerie Guerin.

Torta de frutas vermelhas com creme patissier e massa de amêndoas

Depois de 12 anos assinando os famosos pães e doces do restaurante Le Pré-Catelan, o francês Dominique Guerin inaugurou, em março deste ano, sua própria casa. Ali, naquele corredor, clientes praticamente se acotovelam para comprar baguetes, croissants, brioches, doces, brownies, madeleines… O sistema é rápido: entre na fila, faça seu pedido, pague, pegue e leve. Ou coma sentado nos poucos banquinhos com vista para a cozinha, separada por um grande vidro.

A estante de pães artesanais de fermentação natural; o ótimo pain et chocolat

Pode não parecer muito aconchegante para paulistanos que procuram um lugar calmo para tomar café e apreciar um bom naco de pão de fermentação natural – meu caso. Vencida minha chateação inicial pela falta de mesas, fui pra fila e fui feliz, tanto que voltei no dia seguinte, para outro café da manhã.

Salão pequeno da Guerin com a cozinha- com visão total- ao lado

No primeiro dia, comi um tremendamente bom croissant, amanteigado na medida (ou seja, fartamente), com as folhas de massas estalando sob a pressão mínima dos lábios e derretendo na língua. Um gole de café com leite e, então, pedaço da bem feita tortinha de pera, montada sob massa de amêndoas crocante, esfarelenta no bom sentido, e creme patissier – poderia passar o dia ali, provando o resto da linda vitrine de doces de inspiração francesa (como éclairs, tarte tatins e tartelette fraise), que levam o mínimo de açúcar branco e são, em sua maioria, adoçadas com néctar de agave- mas tinha muito trabalho/comida pela frente.

Os doces da Guerin são delicados, bem feitos e frescos; a única coisa que não curti, o brownie

Então, dia seguinte, lá estava eu de novo. Foi a vez de provar o pain et chocolat, tão bom quanto o  croissant, porém com chocolate escasso em seu interior; as madeleines; o brownie bonito mas que não passava de um bolo de chocolate caseiro, com interior carecendo da textura grudenta/cremosa tão característica da receita americana. E o brioche doce. Ah, o brioche doce.

Sem dúvida, o melhor brioche que já comi no Brasil. Macio, alto, aerado de maneira que a massa fazia micro camadas etéreas em seu interior. Amanteigado o suficiente para que sua untuosidade fizesse carinho em cada milímetro das papilas gustativas. Tão cheiroso que até guardado dentro do saco de papel era impossível não salivar. E caro. Poxa, caro pacas: R$ 65, 30, o quilo!

O insanamente delicioso brioche doce

Aliás, nesta minha última viagem ao Rio, notei que os preços na cidade estão ainda mais absurdos do que os de São Paulo: é difícil encontrar um prato por menos de R$ 70 nos restaurantes mais “bacanas” do Leblon e Ipanema. Na Guerin, um brownie sai por R$ 7,50 e um pain et chocolate, R$ 6,40; na Casa Carandaí, um pedaço de bolo de banana custa R$ 8,50…

Bom, voltando: triste que a Guerin fica “meio” distante de mim, porque queria bem provar os outros pães. Todos eles. Para não ter abstinência logo de cara, trouxe o briochão comigo pra São Paulo, mas acabei com ele no mesmo dia.

Detalhe da parede da Guerin: delivery

Já sei aonde será meu próximo café da manhã no Rio. De novo.

Boulangerie Guerin: Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 920, Copacabana, Rio de Janeiro, tel.: (021)2523-4140