21 de setembro de 2015
Refugiados sírios dão aula de falafel e homus: ação faz parte do programa de apoio a imigrantes, Migraflix

Refugiados sírios dão aula de falafel e homus: ação faz parte do programa de apoio a imigrantes, Migraflix

Quando me aborreço com a atual modinha em tratar gastronomia como entretenimento ou com a rasa e babaca glamourização, é por duas razões: comida é um dos traços culturais mais importantes de cada região/país e é a única coisa no planeta que se transformará no que somos, literalmente. Poderia aqui adicionar também o fato de alterarmos o planeta através de nossas escolhas alimentares: pesticidas que intoxicam terra, rios e mares; excesso de animais para abate que colaboram para o rombo na camada de ozônio e por aí vai.

E eu aprendi a fazer homus com o sírio Talal na primeira aula do projeto MIgraflix

E eu aprendi a fazer homus com o sírio Talal na primeira aula do projeto MIgraflix

Mas quando tomo conhecimento de projetos como o Migraflix, volto a ter esperança na bondade e bom senso da humanidade – incluindo aí a visão global do quão essencial é a comida e a cultura para todos nós.

Criado pelo jornalista Rodrigo Borges Delfim e pelo empreendedor argentino Jonathan Berezovsky, o Migraflix ajuda a interação de refugiados e imigrantes através de uma série de workshops que abordam música, arte e, claro, gastronomia. É uma linda maneira de conscientizar os participantes do imenso impacto que os conflitos regionais tem na vida de milhões de pessoas – e como elas saem de seus lares em busca de paz e oportunidades de uma vida digna.

É uma linda maneira de transmitir culturas distintas da nossa, ajudando a formar pessoas mais acolhedoras e menos preconceituosas.

Comidas vendidas por Talal, refugiado sírio que viu na gastronomia uma maneira de inserir-se na sociedade e sustentar sua família

Comidas vendidas por Talal, refugiado sírio que viu na gastronomia uma maneira de inserir-se na sociedade e sustentar sua família

Ação de impacto social acelerada e apoiada pelo Social Good Brasil, o Migraflix teve seu primeiro evento neste final de semana: aula de falafel e homus ministrada pelo refugiado sírio Talal Al-Tinawi, no qual tive oportunidade de ir.

Engenheiro mecânico que abandonou a Síria com sua família há quase dois anos, no início do profundo e estarrecedor conflito envolvendo o Estado Islâmico, Talal viu na gastronomia uma forma de experienciar seu país, sustentar-se financeiramente e inserir-se na sociedade. Hoje, possui um delivery de comida síria.

Nas aulas do projeto Migraflix, o aluno aprende com imigrantes e refugiados a cultura de seu país

Nas aulas do projeto Migraflix, o aluno aprende com imigrantes e refugiados a cultura de seu país

Os cursos do Migraflix custam R$ 90 reais por pessoa – 80% fica com o refugiado e 20% vai para a manutenção do local das aulas – e ainda acontecem apenas em São Paulo. Porém, por conta da alta demanda, já estão sendo programadas ações em outras cidades do estado e do Brasil.

As próximas atividades são:

  • Sabores de Casablanca com Bouteina Shaki (gastronomia)
  • Conhecendo o Oeste da África  com Melanito Biyouha (gastronomia)
  • Quitutes sírios com Muna Darweesh (gastronomia)
  • Merengue haitiano (dança)
  • Riquezas do Peru (gastronomia)
  • Ritmos de Medellin (dança)

Para participar e ficar por dentro de todos os cursos, clique AQUI.