4 de janeiro de 2016
Onze rótulos brasileiros - de pequenas cervejarias - para celebrar os sabores nacionais

Onze rótulos brasileiros – de pequenas cervejarias – para celebrar os sabores nacionais

Um Viva! aos cervejeiros e cervejarias artesanais brasileiras que (apesar dos impostos insanos e da economia capenga) criam mais e mais rótulos de qualidade. Além da variedade crescente, finalmente estamos saindo do esquema pura-e-simples replicação de estilos internacionais para explorar nossos maravilhosos ingredientes e criar assinaturas regionais, nacionais. Cervejas com sabores brasileiros, enfim.

Isso vale vários brindes.

Damiana, Cervejaria Invicta, 5,5%
Amargor equilibradíssimo e aroma com lindas notas de ervas e camomila.

Amargor equilibradíssimo e aroma com lindas notas de ervas e camomila.

Taí um rótulo que poderia tomar sem parar, por dias. Lúpulos alemães misturados a uma flor (também conhecida como Turnera diffusa), nativa da América Central, México, América do Sul e Caribe resultam em amargor equilibradíssimo e aroma com lindas notas de ervas e camomila.

Preço médio: R$ 20

Caramba!, Cervejaria Duas Cabeças, 6%

Rótulo colaborativo entre 2Cabeças e a americana Stillwater Artisanal – que entrou ano passado para linha fixa da cervejaria -, leva maltes de trigo e cevada e tem adição de carambola. Não, não parece um suco. A fruta está lá apenas no final, com sua acidez e aroma característicos. Pra mim, combina lindamente com uma tarde quente.

Preço médio: R$ 21

Gravetero Saison Umbu, Experimento Beer, 6,2%
Experimento Beer faz belíssimo trabalho de "pesquisa e criação de cervejas com frutas nativas e especiarias do Brasil"

Experimento Beer faz belíssimo trabalho de “pesquisa e criação de cervejas com frutas nativas e especiarias do Brasil”

Gastronomia sustentável não é um conceito distante e difuso: a necessidade de utilizar melhor os recursos – naturais e humanos – é uma absoluta realidade. Olhando a cerveja por um contexto regional, a Experimento Beer faz belíssimo trabalho de “pesquisa e criação de cervejas com frutas nativas e especiarias do Brasil, valorizando a origem e qualidade dos ingredientes, atuando em parceria com cooperativas e comunidades de agricultura familiar e ecoextrativismo de todos os biomas brasileiros”.

Esta Saison leva 10% de Umbu na composição, o que lhe conferiu profundidade aromática e refrescância. O amargor é presente, mas nada que soterre todos os outros sabores. Tomo a garrafa toda e ainda peço mais.

Preço médio: R$ 30

Abera Base, Cervejaria Morada Cia. Etílica, 9,5%

Taí algo que amo e raramente encontro no Brasil: sours. Ao contrário do amargor no qual muita gente pira, meu paladar gosta mais do azedo.

Esse rótulo – frutado, adstringente, graduação alcoólica alta que nem se percebe – faz parte de uma leva de cervejas ácidas da cervejaria, que conta também com a Cupuaçu Sour e a CDB. Uma leva de Abera Base foi engarrafada, passará pelo método champenoise e será lançada em dois anos.

Preço médio: R$ 25

BrazilianWood, Cervejaria Treze e De Mollen, 7,5%
Cerveja e cachaça formando um casal poderosíssimo!

Cerveja e cachaça formando um casal poderosíssimo!

Cerveja e cachaça formando um casal poderosíssimo! Essa Saison nascida da parceria da Treze com a holandesa De Mollen leva maltes de trigo e cevada, caldo de cana (fonte de açúcares e matéria-prima da ‘pinga’) e chips de madeiras usadas na fabricação de cachaça (cabreúva e sassafrás) durante a maturação, o que confere aroma adocicado e potente, com notas de especiarias e compota. Parruda, marcante, pra tomar relaxando na brisa ou no ar condicionado.

Preço médio: R$ 27

Mystic Punch, Cervejaria Devaneio Cervejeiro, 3%

Em uma palavra: amargor. Para quem enlouquece e pira no lúpulo. Seca, aroma de frutas tropicais. Leva maltes de centeio e trigo.

Preço médio: R$ 15

Polimango, Cervejaria Tupiniquim, 9,5%

Não se engane pelo rótulo clarinho e o nome de fruta: essa double IPA é porrada em lúpulo e graduação alcoólica. A união dos maltes de cevada e trigo, aveia em flocos e farinha de polenta acaba por criar notas de frutas como manga e mamão (por isso o “mango”).

Preço médio: R$ 20

Trio, Cervejaria Blondine, 4,3%
Saison IPA criada pelo trio de beer sommelières Amanda Reitenbach, Bia Amorim e Carolina Oda

Session IPA criada pelo trio de beer sommelières Amanda Reitenbach, Bia Amorim e Carolina Oda

Session IPA criada pelo trio de beer sommelières Amanda Reitenbach, Bia Amorim e Carolina Oda, terá três lotes com a mesma receita base e mesmo estilo, mas com lúpulos aromáticos diferentes. Leve, fresca, super fácil de beber.

Preço médio: R$ 16

America Amber Ale, Cervejaria Dádiva, 5,7%

Amargor tem contraponto no aroma levemente caramelado. Daquelas que dá pra beber várias acompanhando uma boa conversa.

Nativas Uvaia, Cervejaria Burgman, 6%
Nativas Uvaia, Cervejaria Burgman, 6%

Nativas Uvaia, Cervejaria Burgman, 6%

Faz parte da linha de três IPAs (India Pale Ale) com adição de frutas nativas da mata atlântica: mangaba, pitanga e uvaia. Aroma cítrico, bom amargor. Fácil de beber.

Preço médio: R$ 15

Chuchupa, Cervejaria Urbana, 5,8%

Uma das minhas cervejarias preferidas, tanto pelos produtos quanto pela comunicação focada na desgourmetização bem humorada. Em 2015, a Urbana lançou essa APA (American Pale Ale) com chuchu como forma de brincar com o excesso de terminologia e complicações beersomellierzísticas: “Quando você entra em um bar encontra um monte de gente com trejeitos de beer sommelier ou, em maior escala, sofrendo de “beer sommeliose”. Então a gente resolveu lançar um desafio: quem consegue encontrar o chuchu – que é algo pouco óbvio e distante do espectro sensorial conhecido no mundo da cerveja – nessa corajosa american pale ale”, diz um dos sócios.

Não achei o chuchu, confesso, mas achei uma bela APA.

Preço médio: R$ 18