3 de novembro de 2015
Peixinho frito: não conhece?

Peixinho frito: não conhece?

Nos distanciamos tanto da natureza, do campo, das estações, que esquecemos todo o tempo, água, cuidado e energia que cada um dos itens que consumimos necessita para chegar até nós. Por isso faço questão de visitar produtores sempre que tenho um tempo: reconectar-se é imprescindível. 

Há pouco, passei um final de semana na fazenda agroflorestal Coruputuba (@fazendacoruputuba), em Pindamonhangaba, que faz um trabalho belíssimo de recuperação de sementes e pesquisa e melhoria de espécies. Minha intenção era aprender um pouco mais sobre PANCs, as Plantas Alimentícias Não Convencionais.

O que são #PANCs e qual sua importância?

Plantas Alimentícias Não Convencionais são aquelas que a maioria das pessoas não se dá conta de sua função como alimento. Muitas, inclusive, são consideras matos ou ervas daninhas por crescerem espontaneamente nos quintais, campos e beiras de estrada.

Também pode-se considerar PANCs algumas plantas comuns, como a bananeira, porque acabamos restringindo seu consumo a fruta, jogando fora as outras partes comestíveis como o coração (ou umbigo) e os frutos verdes.

Por que tanto desconhecimento? Bom, o que aconteceu foi que com o passar das décadas, a destruição de vários biomas, o crescimento do agronegócio e os processos sucessivos de seleção artificial, houve uma redução drástica no número de plantas que são empregadas na alimentação humana. Isso traz como consequência a perda de diversidade no prato, redução de fontes naturais de nutrientes e a necessidade de reposição por fontes artificiais, como suplementos. Outro fator que se elimina é a diversidade cultural, com o abandono de saberes tradicionais associados ao consumo de espécies de plantas de ocorrência local ou regional.

Ou seja: vivemos num país riquíssimo em ingredientes mas acabamos por consumir sempre as mesmas coisas. Sendo assim, a demanda se restringe a apenas dezenas de itens, que são plantados cada vez em maior quantidade para atender a demanda. Enquanto isso, milhares de espécies são esquecidas e, muitas delas, extintas.

Por isso o trabalho de organizações e produtores como a Fazenda Coruputuba e Slow Food, entre outros, é tão importante: para serem produzidas em escala e chegarem aos mercados, é necessário haver interesse do consumidor, que só as descobrirá através de cozinheiros que as sirvam seus restaurantes e da imprensa. É o círculo virtuoso da informação.

Querendo saber mais sobro o assunto, compre o livro Plantas Alimentícias Não Convencionais, de Valdeli Kinupp, clicando AQUI

Conheça abaixo algumas das tantas PANCs brasileiras.

Beldroega
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Também conhecida como caaponga, porcelana, onze-horas. Consumida em saladas, sopas, molhos e para engrossar caldos. Rica em vitamina C, ômega 3 e proteínas

Begônia
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Suas flores podem ser consumidas cruas em saladas. Tem sabor refrescante, bem parecido ao do tomate verde.

Bertalha
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Também conhecida por espinafre indiano. Planta trepadeira de folhas tenras que são consumidas refogadas em sopas, suflês e bolinhos.

Capuchinha
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Também conhecida por Flor de Chagas, Chaguinha. Come-se as flores e folhas, que possuem grande quantidade de vitamina C. De sabor picante semelhante ao agrião.

Cará do ar
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Planta trepadeira, produz tubérculos aéreos de cores branca, creme, roxa ou amarela.É rico em proteínas, carboidratos e potássio e alimento básico na Nigéria.

Chuchu de Vento
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Também conhecido como maxixe peruano e taiuá. Seus frutos são consumidos em saladas, quando novos, ou refogados e recheados, quando adultos.

Vinagreira
Sorrel, conhecida no Brasil como vinagreira, é endêmica nas lhas Cayman. Niven Patel, do Brasserie, decidiu processa-la e mistura-la a framboesas e servir como acompanhamento de peixes

Também conhecida como hibisco, caruru-azedo, quiabo-azedo, rosélia. São consumidas duas folhas e capuchos em saladas – cruas ou refogadas – e compotas e geleias.

Feijão Guandu
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Leguminosa de sabor potente, é altamente resistente a climas secos e solos pobres. Ricos em proteínas e carboidratos.

Araçá do Campo
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Da família da goiaba, a pequena fruta possui alto teor de vitaminas A, B, C, antioxidantes, carboidratos e proteínas.

Maria Gorda
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Também conhecida por Major Gomes, João Gomes e língua de vaca. Rústica, tolerante a seca, rica em nutrientes, possui 500% mais ferro que o espinafre.

Peixinho
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Também conhecida como lambari da horta e orelha de lebre, por sua textura peludinha. As folhas ficam deliciosas quando empanadas e fritas e remete ao sabor do peixe lambari.

Ailin Aleixo
Ailin Aleixo Jornalista, criadora do Gastrolândia

Adora comer e beber bem – especialmente se for viajando. Ultimamente seu programa favorito é visitar produtores e conhecer o processo, nem sempre bonito, por detrás dos alimentos que consumimos. Fala (e escreve) demais o que pensa, é péssima em fazer média e já se acostumou em não ser das pessoas mais populares. Tem cinco gatos e quatro dentes do siso.

Instagram: ailinaleixo