Sud, O Pássaro Verde: a comida intensamente afetiva de Roberta Sudbrack

No forno a lenha do O Pássaro Verde: pissaladière (espécie de ‘pizza’ originária de Nice) coberta com cebola caramelizada, harissa, pasta de anchova e azeitonas

Em fevereiro de 2017, depois de fechar as portas de seu premiado restaurante RS por não ver mais sentido na alta gastronomia, a chef Roberta Sudbrack disse numa entrevista a mim que desejava mesmo era ser “cozinheira de forno e fogão”. E seu desejo tornou-se realidade no novo Sud, O Pássaro Verde, casa que acaba de inaugurar no Jardim Botânico.

Keftedes -almôndegas gregas – com hommus, tahine, tzatziki, legumes crus e pita

O ator principal do novo café de Roberta Sudbrack: o forno a lenha

O forno a lenha, aliás, é a estrela do café/ restaurante que fica aberto – sem interrupções – das 12h até as 21hs. Nele são finalizados ou preparados grande parte dos pratos, como o farto e delicado arroz com legumes assados (que possui toque de canela e remete ao arroz com aletria da cozinha árabe, R$ 32) e a pissaladière (espécie de ‘pizza’ originária de Nice) coberta com cebola caramelizada, harissa, pasta de anchova e azeitonas (R$ 29).

Os memoráveis, etéreos e imperdíveis Gourgères – tipo de pão de queijo francês, mas que não leva polvilho – preparados com queijo perbambucano

E é entre a França e o Brasil que passeia o Pássaro Verde. O menu é um mergulho de Roberta em sua trajetória, sua ligação com a cozinha francesa (o que se nota nas técnicas e temperos), seu amor pelos produtos nacionais (ah, os queijos de Pernambuco…) e sua devoção pelo poder transformador do fogo.

A farta e delicada frigideira de arroz com legumes na lenha do O Pássaro Verde

Tudo no cardápio foi pensado para ser compartilhado, degustado sem pressa e com generosidade. Com afeto. O que se come ali é mais do que comida bem feita: é a história de Sudbrack.

Salão do O Pássaro Verde, nova casa de Roberta Sudbrack

Pão feito na casa

Não é um restaurante brasileiro, por assim dizer. É um restaurante com o Brasil no centro de uma grande mesa que reúne etéreos gourgères (R$ 15, porção farta), Keftedes (suculentas almôndegas gregas repletas de especiarias; R$ 49), sutil carne cruda  com nozes torradas, azeite e queijo brasileiro (R$58) e filé com molho bearnaise (R$ 65). Um Brasil filtrado pela trajetória pessoal da cozinheira.

Carne cruda da nova casa de Roberta Sudbrack: carne de excelente qualidade, azeite, queijo pernambucano e avelãs tostadas

A palavra que, para mim, define o O Pássaro Verde é ‘aconchegante’. Seja por estar instalado numa casa que mantém suas aura de lar, pela feliz invasão de luz natural vinda do telhado de vidro, pelo calor real e metafórico do forno a lenha integrado ao salão ou pela possibilidade de passar por lá no meio da tarde apenas para comer um pedaço de bolo com nata (R$ 12) e tomar café na prensa francesa (R$ 8), o fato é que, ali, fica fácil esquecer o passar do tempo.

Para compartilhar com um sorriso nos lábios: burrata, milho assado e linguiça artesanal

E há que se falar sobre algo essencial, especialmente nos dias de hoje: os preços. Os valores do menu não são apenas sensatos, são convidativos, democráticos. O que também é bem aconchegante…

SENSACIONAL clafoutis de pera com creme ácido: não perca POR NADA

O Rio, definitivamente, ganhou um lugar especial.

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